A lacuna no diagnóstico do autismo entre meninos e meninas
Durante muito tempo, o autismo foi visto quase como um “transtorno masculino”. A imagem clássica (meninos com dificuldades sociais, comportamentos repetitivos e interesses restritos), dominou pesquisas, diagnósticos e até o imaginário popular. Mas essa história está começando a ser revista. E os dados mais recentes mostram que o autismo também companha as meninas, elas só não estavam sendo vistas.
Um grande estudo internacional, que acompanhou cerca de 2,7milhôes de pessoas Suècia ao longo de 35 anos, reforça algo que especialistas em autismo já vinham alertando há décadas: o transtorno do espectro autista (TEA) é amplamente subdiagnosticado em mulheres.
Diagnóstico tardio: o atraso que muda tudo
Os números mostram que, na infância, os meninos ainda recebem muito mais diagnóstico do que as meninas, cerca de quatro vezes mais. No entanto, essa diferença começa a diminuir na adolescência. Enquanto os meninos costumam ser diagnosticados entre os 10 e 14 anos, as meninas aparecem com mais frequência entre os 15 e 19.
O dado mais revelador vem depois: por volta dos 20 anos, praticamente não há mais diferença nas taxas de diagnóstico entre os sexos.
Ou seja, muitas meninas só são diagnosticadas anos depois que os meninos, não porque o autismo surge mais tarde nelas, mas porque demora mais para ser reconhecido.
Por que o autismo nas meninas passa despercebido?
Os pesquisadores apontam vários fatores para explicar esse apagamento histórico:
– Critérios diagnósticos enviesados, baseados em comportamentos mais comuns em meninos;
– A capacidade de muitas meninas de “mascarar” traços autistas, imitando comportamentos sociais esperados;
– Maior probabilidade receberem diagnósticos psiquiátricos equivocados, como a ansiedade, depressão ou transtornos de personalidade.
As consequências do subdiagnóstico
O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento presente desde o nascimento, mas que se manifesta de formas muito diferentes dentro do espectro, Quando não é identificado, pode levar a:
– Isolamento social;
– Dificuldades emocionais persistentes;
– Problemas de saúde mental e física;
– Maior risco de ideação suicida, segundo especialistas.
O que explica o aumento nos diagnósticos?
O aumento expressivo nos diagnósticos nas últimas décadas tem gerado debates sobre “sobrediagnóstico”. Mas muitos especialistas discordam dessa narrativa. Para eles, o que está acontecendo é uma correção histórica.
Durante anos, mulheres e meninas ficaram fora do radar. Agora, com maior conscientização e acesso a serviços, esses casos estão finalmente vindo à tona, explicando o aumento da identificação dos casos, especialmente entre jovens de 10 a 25 anos.
Como resumiram os próprios pesquisadores, o que vemos ao longo do tempo é um “efeito de recuperação substancial”. O autismo não é predominantemente masculino. Os meninos apenas costumam apresentar os sinais clássicos mais cedo.
FONTE: https://www.dailymail.co.uk/health/article-15527449/Autism-common-girls-boys-new-study-finds.html
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