Alzheimer na América Latina: o que fazer hoje para evitar no futuro
No fim de fevereiro, a associação internacional de Alzheimer promoveu encontros em diferentes partes do mundo para discutir a demência a partir de realidades locais. No painel realizado no Uruguai, com foco na América Latina, a pesquisadora Lucia Crivelli, da Fundação para a Luta contra as Enfermidades Neurológicas da Infância, trouxe um alerta importante: ainda fazemos pouco quando quando o assunto é prevenção.
O estilo de vida como fator decisivo
Grande parte do risco de demência está ligada a hábitos que podem ser modificados. Entre os principais pontos destacados estão:
– Prática regular de atividade física;
– Abandono do tabagismo;
– Controle do peso, colesterol e glicemia;
– Consumo moderado de álcool.
Além disso, fatores como escolaridade, prevenção da depressão, cuidados com a audição e visão, redução da poluição e manutenção de vínculos sociais também desempenham papel relevante.
O impacto das escolhas ao longo da vida
Os dados apresentados mostram que pequenas mudanças podem ter efeitos significativos na redução do risco de demência:
– Mais anos de estudo: -11%
– Controle da hipertensão: -9%
– Combate à obesidade: -8%
– Prevenção da perda auditiva: 18%
– Tratamento da depressão: -7%
– Parar de fumar: -6%
– Redução do sedentarismo: -5%
– Controle do diabetes: -3%
Ou seja, não existe uma única solução, mas um conjunto de ações que, somadas, fazem diferença real.
Um cenário que preocupa
Hoje o Brasil tem cerca de 2 milhões de pessoas com demência, enquanto a América Latina soma aproximadamente 10 milhões de casos. A projeção é preocupante: esses números podem triplicar até 2050.
As prioridades variam entre países. No Brasil, por exemplo, destacam-se escolaridade, hipertensão perda auditiva e obesidade. Já em outros contextos, entram também questões como isolamento social e saúde mental.
Um modelo que traz esperança
Um dos exemplos mais promissores é o FINGER Study, liderado pela pesquisadora Mila Kivipelto no Instituto Karolinska.
O estudo mostrou que uma abordagem multidimensional, combinando alimentação saudável, atividade física, estímulo cognitivo, controle metabólico e vida social ativa, pode prevenir ou retardar o declínio cognitivo. Entre os participantes, houve uma melhora de 25% na cognição global.
A partir desses resultados, surgiu a rede World-Wide FINGERS, que adapta o modelo para diferentes países. Na região, o projeto LatAm-FINGERS já envolve diversas nações, incluindo o Brasil.
O Alzheimer não é inevitável em muitos casos. Boa parte do risco está ligada a fatores que podemos controlar e, quanto antes começarmos, maiores são as chances de preservar a saúde do cérebro ao longo da vida.
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